A Cristina Coelho é Psicóloga, Socorrista e formadora certificada. Tirou Pós-Graduação em Neuropsicologia Clínica e Neuroeducação e é Mestre em Intervenção Psicológica, Desenvolvimento Humano e Educação.

No Alerta Saúde já falámos várias vezes sobre a depressão e as suas nuances. O que hoje vos quero falar de diferente é sobre os nossos amigos de quatro patas e o papel que eles podem, de facto, ter na prevenção e no tratamento desta perturbação psicológica.

Como já vimos, a depressão é uma doença que se associa frequentemente a um afastamento social, que leva a um ciclo progressivo de isolamento e consequente agravamento dos sintomas, como a tristeza e baixa auto-estima.

Sim, é verdade, todos sabemos que ter um animal exige muito: dão trabalho, são chatos quando querem mimos e comida, mas é precisamente por esse caráter desafiador que se afiguram como elemento facilitador da recuperação destes pacientes, não apenas em pessoas deprimidas mas também no combate à solidão de idosos, por exemplo.

Pensemos – quantos de nós já viram vizinhos mais felizes e tranquilos com a sua companhia de quatro patas? Até os desenhos animados nos mostram isso!

Imagine este cenário:

“Mulher, 50 anos, com diagnóstico de depressão, dificuldade em relacionar-se com os outros, escolhe o sofá para se “proteger do mundo”. Está no mesmo local há 4 horas, sem dar conta do tempo passar. De repente, entre o estado de sonolência e semi-acordada, desperta num salto com uma lambidela do seu Sebastião, relembrando que a vida não parou e que há muito em casa por fazer – começando por levá-lo a passear e dar-lhe de comer!”

O cenário pode ser forte e triste, mas é uma realidade em muitas casas portuguesas. Agora volte a imaginar o cenário sem a intervenção do Sebastião. Soa a solidão ao quadrado, não?

Fique então a conhecer as vantagens de ter um amigo destes por perto no combate à depressão:

1. Cães e gatos necessitam de cuidados, passeios, alimentação, o que exige da pessoa um “esforço” a si própria para se manter ativa, pelo menos no que respeita aos cuidados ao animal;
2. Os cães, principalmente, exigem um feedback dos donos, quando estão eufóricos, satisfeitos ou mesmo felizes quando estes chegam a casa. Além disso, são eles que muitas vezes motivam os donos com depressão para as poucas saídas de casa, de forma a cumprirem os seus passeios de rotina;
3. Os gatos necessitam de muita atenção, ao contrário do que as pessoas pensam. O toque, as carícias, são exigidas pelos gatos, de inúmeras maneiras, procurando a atenção dos donos, forçando por vezes o toque e a estimulação física, algo que muitas vezes é evitado pelas pessoas com depressão;
4. A amizade incondicional dos animais aos seus donos poderá ser motivo suficente – ou mesmo motivo único – para motivar os pacientes deprimidos a continuar a viver e a lutar todos os dias pela sua recuperação;
5. Alguns especialistas consideram que o ronronar do gato poderá ter efeitos relaxantes e apaziguadores nos donos, ajudando até a controlar o stress e doenças cardiorespiratórias.
6. Crianças pequenas tendem a ser mais amáveis com outras crianças e mesmo mais cuidadosas com os animais e com a natureza, quando crescem na companhia de animais.

Tem dúvidas? Desafio: ver o vídeo sem sorrir!

Em suma, os animais são vistos como companheiros fieis de todas as horas, que, apesar necessitarem de cuidados, contacto físico e companhia, são eles que sem julgar, forçar ou pressionar os donos a saírem da sua situação clínica de forma abrupta, respeitam, da forma mais natural possível, o seu ritmo e ajudam, progressivamente, a recuperar os níveis de energia, de otimismo e de auto-estima (por se sentirem úteis e valorizados por eles).

Curiosidade:

Os animais têm sido usados também em outras terapias específicas, tais como em Educação Especial, por exemplo, no apoio de crianças autistas, em pacientes com Alzheimer e epilepsia. Há especialistas que estão a estudar casos de cães que conseguem farejar alguns tipos de cancro!

E agora que já conhece as vantagens em ter estes amigos, diga lá se não é um privilégio ter uma companhia destas nas nossas vidas?


Cristina Coelho

A Cristina Coelho é Psicóloga, Socorrista e formadora certificada. Tirou Pós-Graduação em Neuropsicologia Clínica e Neuroeducação e é Mestre em Intervenção Psicológica, Desenvolvimento Humano e Educação.